A Web pode decidir as eleições no Brasil?
Na última eleição presidencial dos Estados Unidos a Internet certamente teve um papel fundamental. De acordo com o estudo realizado pelo Projeto Vida Americana e Internet, do Instituto Pew, cerca de 55% da população adulta procurou notícias políticas, pesquisou as posições de candidatos, debateu questões ou de alguma forma participou da eleição através da Internet.
É importante observar que esse aumento na participação da Web foi, em grande parte, influenciado pela brilhante campanha do atual Presidente Barack Obama. O então candidato investiu pesado em uma equipe de estrategistas digitais e alinhou seu próprio discurso político com algumas das características mais fortes da rede, a interatividade e a transparência. O resultado, além da eleição, claro, dois dos mais cobiçados prêmios do Festival de Publicidade de Cannes.
Tanto sucesso na campanha de Obama tem incentivado cada vez mais partidos e agências de marketing político a se aventurar na Web. Mas, como no Brasil o debate ainda está mais atrasado, cresce cada vez mais a procura por escritórios de advocacia especializados em direito digital. Por conta disso, após muita polêmica e o adiamento das mudanças das regras eleitorais para cobertura jornalística pela internet, ficaram estabelecidas algumas regras para ações digitais nas próximas eleições.
- A propaganda eleitoral na web será liberada dia 6 de julho. O que for “ato de vontade” não tem prazo de início – por exemplo, simpatizantes podem abrir espaço nas redes sociais para se manifestarem.
- Estão vetados anúncios pagos na internet. Sites de órgãos do governo ou entidades da administração pública não podem exibir propaganda.
- Debates estão permitidos. A participação de candidatos nesses encontros não é considerada propaganda antecipada.
- Existe direito de resposta na web. A solicitação tramitará com prioridade na Justiça Eleitoral.
- E-mail marketing e SMS visando campanha eleitoral também estão autorizados. O receptor das mensagens poderá solicitar o fim do envio desse material. O prazo para isso é de 48h, sob pena de multa de R$ 100 por mensagem.
- A boca de urna digital pode ficar no ar mesmo no dia da votação. Não há limite temporal para a veiculação de propaganda eleitoral gratuita na web.
No Brasil, longe de buscar prêmios de publicidade, a propaganda eleitoral na Web contará ainda com a forte participação das redes sociais. Muito difundidas, terão cada vez mais espaço em um país com tradição em debates políticos. O que se espera é que a Internet permita que mais formadores de opinião (blogueiros) participem e ampliem as discussões, influenciando principalmente jovens e indecisos. Debates na TV sempre foram pontuais, enquanto na rede podem ocorrer em tempo integral. Ao contrário das mídias de massa, a Internet permite feedbacks instantâneos e sem moderação. O que, em breve, pode fazer com que vire justamente a principal referência de desempenho dos candidatos nas mídias tradicionais.
Confira abaixo um vídeo sobre a vitoriosa campanha de Barack Obama nas eleições e no Festival de Cannes do ano passado. E, em seguida, uma apresentação interessante com alguns dados sobre como as redes sociais aumentaram drasticamente o poder de alcance da informação.
(Não encontrei a fonte da apresentação. Se alguém souber o autor, por favor, mande um email ou deixe um comentário para que sejam dados os devidos créditos.)




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